03/06/2026
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Química no cabelo aumenta porosidade em 4x, alerta USP

O uso excessivo de química no cabelo, principalmente a combinação de descoloração e progressiva, pode elevar a porosidade dos fios em quatro vezes. É o que aponta um estudo do Instituto de Física da USP.

A pesquisa alerta que essa união de procedimentos desnatura a alfa-queratina, tornando os danos à estrutura capilar praticamente irreversíveis sem uma intervenção profunda.

Cada processo químico atinge uma camada específica do fio. A amônia presente nas tinturas abre as escamas da cutícula. Já substâncias como formol e oxidantes rompem as ligações de cistina no córtex, fazendo com que o cabelo perca elasticidade e resistência mecânica.

Em casos de descolorações repetidas, até a medula do fio pode ser comprometida. O resultado é um cabelo quebradiço e sem a chamada “memória” de forma.

A ANVISA reforçou alertas sobre alisantes com pH irregular. Em testes laboratoriais, esses produtos causaram quebra severa em 95% dos usuários analisados.

O risco é potencializado pelo pH dos produtos utilizados. Substâncias muito alcalinas ou ácidas alteram a fisiologia do fio. Por isso, é necessário um intervalo mínimo de 30 a 45 dias entre processos diferentes para evitar o chamado corte químico total.

O sinal mais claro de que a química foi longe demais é o efeito “chiclete”, quando o fio fica excessivamente elástico ao ser esticado. Outros indicativos são o excesso de frizz persistente e uma textura rígida. Esses sinais apontam para porosidade alta e perda massiva de proteínas e lipídios protetores.

A queda acima do normal e o ressecamento intenso também são sintomas, muitas vezes ignorados até que a quebra ocorra ao longo do comprimento. Técnicos destacam que a queratina representa cerca de 80% da constituição em massa do fio. Sua destruição química impede que o cabelo retenha hidratação básica.

A recuperação de um cabelo danificado por química exige um ciclo semanal que inclua hidratação, nutrição e reconstrução. A hidratação repõe água, a nutrição devolve óleos essenciais e a reconstrução foca na reposição de aminoácidos e colágeno hidrolisado.

É importante evitar o excesso de queratina líquida, que pode deixar o fio muito rígido e causar novas quebras. Um dos erros graves é usar chapinha em alta temperatura sobre cabelo já sensibilizado, o que causa danos irreversíveis ao córtex.

Outro equívoco frequente é aplicar amônia logo após um alisamento, pois a cutícula já fragilizada não suporta uma nova abertura sem atingir níveis de porosidade extrema.

Dados da ABIHPEC mostram que o Brasil é o terceiro maior mercado mundial de cosméticos capilares. O setor movimentou R$ 3,2 bilhões apenas em tratamentos pós-química em 2025.

Consultar as resoluções da ANVISA antes de comprar alisantes é uma forma de garantir que o produto não cause perda de fios por irregularidade na fórmula. Com o crescimento de 8% nos procedimentos químicos, as reclamações no PROCON sobre danos capilares subiram 34% no último ano.

Isso reforça a necessidade de buscar profissionais qualificados e marcas que sigam as boas práticas de fabricação. O tratamento correto e o respeito aos intervalos entre procedimentos são fundamentais para manter a saúde dos fios.

Sobre o autor: Equipe Editorial

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