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15/10/2019 às 16:26:00
Mato Grosso Saúde esclarece as principais dúvidas sobre o câncer de mama
A oncologista clínica credenciada ao Mato Grosso Saúde, Carla Nakata, fala sobre a doença que mais mata mulheres no mundo

O câncer de mama é a neoplasia mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), apenas em 2019 o Brasil deverá registrar quase 60 mil casos da doença, sendo 680 em Mato Grosso e 220 em Cuiabá. A região com maior concentração de casos é o Sudeste, com 30.880 casos.

O câncer de mama pode ser notado pelas próprias mulheres durante a realização do autoexame ou mais inicialmente através de exames de imagem, como a mamografia. Lembrando que quanto mais precoce o diagnóstico e o tratamento, maiores serão as chances de cura. 

A médica oncologista credenciada ao Mato Grosso Saúde, Carla Tyene Nakata, explica que a idade indicada para a realização do exame de mamografia depende dos fatores de risco de cada pessoa.

“Existem outras informações quanto a idade ideal para realizar o exame. O importante é conversar com o seu médico e levar em conta o histórico familiar, hábitos de vida, outras doenças associadas, entre outros. O ideal seria que mulheres sem fatores de risco, iniciassem o rastreamento a partir dos 40 – 45 anos. Para as mulheres com idade superior aos 70 anos, o exame de rastreamento deve ser individualizado para cada paciente”, explica a médica.

Para a médica, além dos fatores hereditários, outro risco, mesmo que pequeno, é a reposição hormonal durante a menopausa e a utilização de anticoncepcionais durante a idade fértil. “Hoje em dia quase toda mulher toma anticoncepcional, por um tempo prolongado. Ainda é incerto o efeito desses tratamentos a longo prazo para o desenvolvimento do câncer, não obrigatoriamente quem toma medicamento contraceptivo desenvolverá o câncer de mama. Não é isso. Mas essa mulher deve sempre estar atenta e fazer o acompanhamento ginecológico, que é fundamental”, explica.

Notei algo diferente na mama, o que devo fazer?

O médico ginecologista é quem costuma a acompanhar a saúde da mulher com exames de rotina. Muitas vezes, é este médico que realiza o diagnóstico e encaminha para outros especialistas. 

“Esse profissional solicita o exame de rastreamento como a mamografia ou a ultrassonografia da mama, e dependendo do caso já encaminha a paciente para outros médicos”. A doutora Carla Nakata lembra que não necessariamente a paciente diagnosticada com um câncer de mama precisa retirar a mama inteira. A decisão é tomada por uma equipe médica, na qual podem fazer parte: o cirurgião oncológico ou mastologista, o oncologista clínico, o cirurgião plástico e o radioterapeuta.

Quem tem silicone pode fazer mamografia?

O silicone não é um impedimento para a realização da mamografia, esclarece a médica. “A prótese não é um problema, ou uma desculpa para não realizar os exames. Como a prótese fica atrás da glândula mamária, o aparelho comprime apenas a região dessas glândulas, não correndo o risco da prótese estourar e nem interferir no resultado do exame”, esclarece.

Fui diagnostica, e agora?

Após o diagnóstico, vários passos devem ser seguidos cuidadosamente e com paciência. Carla Nakata lembra que o tratamento pode passar por algumas etapas, como: cirurgia, quimioterapia, hormonoterapia e radioterapia a depender do caso.

Cada profissional possui um papel fundamental no processo de apoio, acolhimento e cuidado desse paciente. “Além da equipe médica, o paciente contará com a assistência de uma equipe multiprofissional: enfermeiras, fisioterapeutas, nutricionistas, odontologistas e psicólogos, com a finalidade de abranger o paciente como um todo e oferecer o melhor tratamento”.

Homens podem ter câncer de mama?

Sim, embora seja raro. De acordo com o Inca, 1% do total de casos da doença são registrados com o público masculino. Portanto, os médicos que acompanham a saúde do homem também devem ficar atentos.

“É raro acontecer, mas, quando acontece, os sintomas são semelhantes aos da mulher. Um “carocinho” diferente que muitas vezes não dói e começa a crescer de forma anormal na mama, ou uma alteração no bico do peito, às vezes o mamilo ou a pele pode sofrer uma retração. Em alguns casos a pele também pode ter um aspecto de inflamação: quente, vermelho, endurecido, com uma aparência que costumamos chamar de casca de laranja. Essa última situação é mais rara, mas pode acontecer. O mais comum mesmo é o nódulo indolor e com crescimento contínuo”.

Tumor benigno pode se tornar maligno?

A oncologista lembra que existem lesões benignas na mama que precisam ser apenas acompanhadas, como o cisto ou alguns nódulos, que não se transformarão em câncer. Por outro lado, algumas lesões são precursoras de neoplasia e tem mais chances de se tornar malignas. “Tudo vai depender do resultado da biópsia dizendo qual o tipo do tumor da paciente. Após a avaliação é sugerida a retirada parcial, ou total, da mama para evitar a evolução do quadro clínico para um tumor maligno”, explica Carla.

A neoplasia maligna, outro nome dado ao câncer de mama, é categorizada em subtipos, tornando o tratamento mais efetivo. “Hoje câncer de mama não é tratado de forma igualitária para todas as mulheres, em razão dos diferentes subtipos. Cada mulher faz uma sequência de tratamento diferente, possibilitando um tratamento dirigido e efetivo. Pode ser a quimioterapia, a hormonoterapia, a radioterapia...”, informa.

É importante levar os exames antigos

Guardar os resultados de exames anteriores é uma forma de acompanhar e rastrear as doenças. “Mais importante do que olhar a mamografia atual é o médico comparar como estava no passado para saber se houve alguma alteração. Muitas vezes as pacientes não levam os exames e quando nos deparamos com alguma alteração não sabemos dizer se a lesão já estava no local ou se é algo novo. Isso evita novos procedimentos, novas intervenções, até mesmo invasivas, para a solução do caso”.

A médica lembra que 80% dos casos da doença ocorrem ao acaso e que apenas uma pequena parcela tem relação genética. É importante que parentes de primeiro grau de mulheres que tiveram câncer de mama antes dos 50 anos iniciem o rastreio 10 anos antes da idade com que o parente de primeiro grau foi diagnosticado. Por exemplo: se a mãe foi diagnosticada aos 40, o ideal é que a filha comece a realizar exames a partir dos 30 anos.

Quem teve câncer de mama pode ter outros tipos de câncer?

Sim, a paciente não fica imune contra outros tipos da doença. “O risco não diminui de outras partes do corpo de desenvolverem outro câncer, esse risco é igual ou até maior do que uma pessoa que nunca teve, dependendo do tipo de câncer. No caso das mulheres que tiveram câncer de mama e fazem uso da hormonioterapia, esse tratamento diminui o risco de desenvolvimento de câncer de endométrio (útero), mas não a protege de um câncer de intestino, por exemplo”.

Qual a relação entre obesidade e câncer?

A obesidade é um fator de risco importanta, segundo a médica oncologista. “Costumamos dizer que o obeso é um inflamado crônico, pois produz enzimas inflamatórias que interferirem na divisão celular, prejudicando a multiplicação correta das células”.

Já para o câncer de mama, o aumento do peso está relacionado, inclusive ao aumento da produção hormonal.

“A mulher também possui a produção de testosterona, em menor quantidade do que o homem, essa testosterona será convertida em estrogênio pelos adipócitos (células de gordura), estimulando as células das glândulas mamárias a se multiplicarem, aumentando o risco de desenvolvimento de câncer de mama”.

A prevenção é a melhor maneira de cuidar da saúde, e o Mato Grosso Saúde conta com uma rede médica preparada para diagnosticar às diversas demandas de saúde.

A Dra. Carla Nakata atende os pacientes do Mato Grosso Saúde na clínica Oncomed, também uma clínica credenciada ao Plano de Saúde do Servidor do Estado. Acompanhe o Guia Médico aqui.

 


Fonte: Fernando Campos | Mato Grosso Saúde
 
 
 
 
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