03/06/2026
Mato Grosso Saúde»Insights»Ozivy: caneta emagrecedora brasileira chega em breve

Ozivy: caneta emagrecedora brasileira chega em breve

A Anvisa aprovou nesta terça-feira (26/5) o registro da Ozivy, a primeira caneta emagrecedora brasileira com semaglutida. O medicamento é um concorrente direto do Ozempic no mercado nacional.

A aprovação permite a comercialização do produto no país, mas a disponibilidade imediata nas farmácias ainda não ocorrerá. A fabricante EMS prevê que o lançamento aconteça em cerca de dois a três meses, com expectativa de chegada até agosto.

A produção será feita em Hortolândia (SP), em uma das maiores plantas farmacêuticas do país. A empresa já vinha se preparando para o lançamento desde a expiração da patente da semaglutida no Brasil, em março.

A Ozivy é uma caneta injetável à base de semaglutida, o mesmo princípio ativo do Ozempic, usado no tratamento da obesidade e diabetes tipo 2. A diferença principal está no fato de ser um produto desenvolvido e produzido no Brasil.

Apesar de ter o mesmo composto, a Ozivy é classificada como medicamento similar, e não genérico. Isso significa que ela tem marca própria e pode seguir regras diferentes de precificação e produção.

O preço da Ozivy ainda não foi oficialmente definido pela EMS, mas estimativas já circulam no mercado farmacêutico. A principal referência é o valor atual do Ozempic, vendido em torno de R$ 1.300.

Segundo projeções do Itaú BBA, a nova caneta brasileira pode chegar ao consumidor com desconto inicial entre 20% e 30% em relação ao produto importado. Com base nesses parâmetros, o valor estimado da Ozivy ficaria próximo de R$ 1.039, embora esse número ainda dependa da definição final da empresa e da regulação da Cmed.

A chegada da Ozivy pode aumentar a disputa no mercado de medicamentos à base de semaglutida. Isso tende a pressionar os preços para baixo, especialmente entre fabricantes nacionais e internacionais.

Especialistas apontam que a redução pode ser gradual, já que o setor ainda enfrenta limitações de produção e entrada de novos concorrentes. A produção nacional de canetas emagrecedoras ainda enfrenta desafios estruturais importantes.

Fabricar medicamentos injetáveis exige alta complexidade técnica e investimentos elevados. A EMS investiu cerca de R$ 1,2 bilhão em sua planta de Hortolândia para viabilizar esse tipo de produção, que exige rigoroso controle de esterilidade e logística refrigerada.

Além disso, a Anvisa deve aprovar no máximo três projetos por semestre, o que pode estender a entrada de novos medicamentos até o fim de 2027. A expansão do setor também depende de parcerias internacionais e de decisões estratégicas de outras farmacêuticas brasileiras.

A Ozivy representa a entrada do Brasil na segunda geração de medicamentos para obesidade à base de semaglutida, que pode levar à perda de até 15% do peso corporal. Já a nova geração, baseada em tirzepatida, como o Mounjaro, pode alcançar reduções ainda maiores, de até 22,5%, mas sua produção nacional deve demorar mais, já que a patente da Eli Lilly só expira em 2036.

Sobre o autor: Equipe Editorial

Portal de notícias e conteúdos relacionados a temas de saúde nacionais e internacionais.

Ver todos os posts →